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O FUTURO DA ODONTOLOGIA VI
Um direito sem prazo de validade
Pessoas com mais de 60, 70 ou 80 anos têm direito ao atendimento odontológico como qualquer outra, além de serem um grupo com demanda crescente em saúde e bem-estar. Alguns profissionais já estão alinhados com esta nova realidade e obtêm bons resultados no consultório


Sem medo de sorrir: Florentina Vieira,
78, usa prótese móvel bem adaptada

No consultório do cirurgião-dentista Humberto Soliva já é comum uma cena que tende a ser mais frequente num futuro não muito distante: pacientes idosos e pré-idosos que buscaram o tratamento odontológico para obter mais saúde, mais estética e melhor qualidade de vida. Soliva, que é especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, é procurado por eles – muitas vezes pela indicação de pro­tesistas, periodontistas e implan­todontistas – por motivos disfun­cionais, normalmente acompanhados de desconforto e dor oro­facial, e estéticos, principalmente porque alguns dentes mudam de posição e apinham com a idade mais avançada.


“Também temos alguns casos de avós que acompanhavam seus netinhos nas consultas e, vendo o resultado, se interessaram em corrigir seus dentes também e em melhorar sua autoestima”, completa o CD. O profissional conta que os principais problemas bucais que encontra nestes pacientes são perda óssea, mobilidade em vários elementos, má-oclusões do tipo Classe II de molar, com protrusão de incisivos superiores, apinhamento dos incisivos inferiores e destruição por bruxismo e/ou aper­ta­mento. “Também encontramos neles as sequelas da Odontologia intervencionista predominante no século XX, ou seja, pacientes com grandes restaurações metálicas, próteses fixas, próteses parciais removíveis, perdas dentárias oriun­­das de tratamentos mal-sucedidos”, ressalta.

Mesmo diante de situações assim, aparentemente desfavoráveis e que parecem se agravar com o fator idade, os tratamentos realizados em pacientes idosos alcançam um bom sucesso. “O que quero salientar é que a limitação que pode existir é fisiológica  e não cronológica. O fato do paciente estar com mais de 60 ou 70 anos não significa que não possa se beneficiar de nossos recursos terapêuticos”, diz Soliva. E completa: “Com os avanços das técnicas de reconstrução oclusal e a evolução do pensamento da moderna Odontologia é possível ajudar os pacientes a utilizarem seu sistema estoma­togná­tico de forma integral até o final de seus dias”.

 

Atenção às limitações fisiológicas


CD Humberto Soliva, do RJ
Mas o CD também considera as especificidades da saúde dos idosos e as respeita com o cuidado de não prometer milagres nem causar iatrogenia. “É necessária boa compreensão da fisiologia do sistema, bem como das con­sequências de nossas intervenções sobre a oclusão. Devemos ter em mente que a má-oclusão demorou décadas para se instalar e, consequentemente, criou acomodações e transformações de forma e função. Também precisamos explicar aos pacientes que é um tratamento multidisciplinar e quase sempre temos que interagir com o periodontista e o protesista, e que o retorno à normalidade e ao equilíbrio é lento e muitas vezes doloroso”, explica o cirurgião-dentista.

Ao fazer essas considerações e não negar o atendimento a idosos na sua especialidade, Hum­berto Soliva também demonstra estar ciente de uma demanda cada vez maior no Brasil e no mundo, que ele mesmo reconhece. “A longevidade hoje é uma realidade, estamos protagonizando uma mudança de paradigma em relação aos nossos idosos. Hoje eles fazem musculação, caminham, alguns ainda trabalham mesmo aposentados, outros ajudam a criar os netos. É importante a Odontologia também acompanhar esta evolução, oferecendo saúde bucal em todas as idades e adequando os procedimentos, bem como nossa mentalidade, a estas novas oportunidades.”

 

Casos de sucesso

A clínica de Soliva já tem vários casos de pacientes acima dos 60 anos que tiveram sua saúde bucal e qualidade de vida recuperadas através do tratamento ortodôntico e ortopédico associado a outras áreas da Odontologia e até da Medicina. Ele mesmo chama atenção para um bastante elucidativo com relação aos problemas comuns ao envelhecimento e à abordagem multi-disciplinar deste paciente.


Pacientes com 83 anos (acima),
e com 71 (ao lado), durante
tratamento ortopédico funcional:
sequelas da Odontologia
intervencionista do século XX
Trata-se de uma mulher de 62 anos que passou pela menopausa precocemente aos 38 anos e optou por não fazer reposição hormonal, o que contribuiu para o desenvolvimento de osteoporose. Conse­quen­temente, por perda óssea generalizada, seus dentes começaram a mudar de posição e ela foi se consultar com um periodontista, que indicou Soliva para uma avaliação ortopédica funcional da paciente. Foi constatada, então, a necessidade de tratar a osteoporose com um médico geriatra, e, desta forma, a paciente foi recuperando a saúde óssea periodontal. Depois de um ano, com o problema básico controlado, foi feito o tratamento corretivo, recuperando o alinhamento e nivelamento dos dentes.

Nota da redação

O tema Ortodontia em pacientes adultos e idosos será abordado com mais profundidade na próxima edição da Revista ABO Nacional, que vai trazer reportagem de capa sobre a especialidade.



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