“Também temos alguns casos de avós que acompanhavam seus netinhos nas consultas e, vendo o resultado, se interessaram em corrigir seus dentes também e em melhorar sua autoestima”, completa o CD. O profissional conta que os principais problemas bucais que encontra nestes pacientes são perda óssea, mobilidade em vários elementos, má-oclusões do tipo Classe II de molar, com protrusão de incisivos superiores, apinhamento dos incisivos inferiores e destruição por bruxismo e/ou apertamento. “Também encontramos neles as sequelas da Odontologia intervencionista predominante no século XX, ou seja, pacientes com grandes restaurações metálicas, próteses fixas, próteses parciais removíveis, perdas dentárias oriundas de tratamentos mal-sucedidos”, ressalta.
Mesmo diante de situações assim, aparentemente desfavoráveis e que parecem se agravar com o fator idade, os tratamentos realizados em pacientes idosos alcançam um bom sucesso. “O que quero salientar é que a limitação que pode existir é fisiológica e não cronológica. O fato do paciente estar com mais de 60 ou 70 anos não significa que não possa se beneficiar de nossos recursos terapêuticos”, diz Soliva. E completa: “Com os avanços das técnicas de reconstrução oclusal e a evolução do pensamento da moderna Odontologia é possível ajudar os pacientes a utilizarem seu sistema estomatognático de forma integral até o final de seus dias”.
Atenção às limitações fisiológicas

CD Humberto Soliva, do RJ |
Mas o CD também considera as especificidades da saúde dos idosos e as respeita com o cuidado de não prometer milagres nem causar iatrogenia. “É necessária boa compreensão da fisiologia do sistema, bem como das consequências de nossas intervenções sobre a oclusão. Devemos ter em mente que a má-oclusão demorou décadas para se instalar e, consequentemente, criou acomodações e transformações de forma e função. Também precisamos explicar aos pacientes que é um tratamento multidisciplinar e quase sempre temos que interagir com o periodontista e o protesista, e que o retorno à normalidade e ao equilíbrio é lento e muitas vezes doloroso”, explica o cirurgião-dentista. |
Ao fazer essas considerações e não negar o atendimento a idosos na sua especialidade, Humberto Soliva também demonstra estar ciente de uma demanda cada vez maior no Brasil e no mundo, que ele mesmo reconhece. “A longevidade hoje é uma realidade, estamos protagonizando uma mudança de paradigma em relação aos nossos idosos. Hoje eles fazem musculação, caminham, alguns ainda trabalham mesmo aposentados, outros ajudam a criar os netos. É importante a Odontologia também acompanhar esta evolução, oferecendo saúde bucal em todas as idades e adequando os procedimentos, bem como nossa mentalidade, a estas novas oportunidades.”
Casos de sucesso
A clínica de Soliva já tem vários casos de pacientes acima dos 60 anos que tiveram sua saúde bucal e qualidade de vida recuperadas através do tratamento ortodôntico e ortopédico associado a outras áreas da Odontologia e até da Medicina. Ele mesmo chama atenção para um bastante elucidativo com relação aos problemas comuns ao envelhecimento e à abordagem multi-disciplinar deste paciente.

Pacientes com 83 anos (acima),
e com 71 (ao lado), durante
tratamento ortopédico funcional:
sequelas da Odontologia
intervencionista do século XX |
Trata-se de uma mulher de 62 anos que passou pela menopausa precocemente aos 38 anos e optou por não fazer reposição hormonal, o que contribuiu para o desenvolvimento de osteoporose. Consequentemente, por perda óssea generalizada, seus dentes começaram a mudar de posição e ela foi se consultar com um periodontista, que indicou Soliva para uma avaliação ortopédica funcional da paciente. Foi constatada, então, a necessidade de tratar a osteoporose com um médico geriatra, e, desta forma, a paciente foi recuperando a saúde óssea periodontal. Depois de um ano, com o problema básico controlado, foi feito o tratamento corretivo, recuperando o alinhamento e nivelamento dos dentes. |
Nota da redação
O tema Ortodontia em pacientes adultos e idosos será abordado com mais profundidade na próxima edição da Revista ABO Nacional, que vai trazer reportagem de capa sobre a especialidade.
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