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O FUTURO DA ODONTOLOGIA VI
Independência é vida
Preservar a autonomia do idoso e considerar a experiência como fator legítimo de tomadas de decisões é garantir envelhecimento saudável, através do qual não só a expectativa de vida é ampliada, mas também a qualidade de vida


Preservar a autonomia, para manter
qualidade de vida:
Sidney Palmiéri, 71,
e o neto Gabriel, aos 9 meses

Considerando que a promoção da saúde deva ser compreendida como uma intervenção interse­torial, relacionada aos âmbitos pessoal, familiar e comunitário e abrangendo elementos afetivos, pode-se concluir que a preservação da autonomia esteja intimamente ligada à qualidade de vida e ao envelhecimento saudável. O conceito de envelhecimento ativo defendido pelo pesquisador Samuel Jorge Moysés está relacionado à manutenção da capacidade funcional do idoso, com integridade psíquica e autonomia social – a capacidade de tomar decisões, de determinar e executar os modos de andar a vida. “A perda da autonomia dos idosos está comumente relacionada a déficits cognitivos e às limitações severas da capacidade funcional, que acabam por levá-los à dependência”, explica Moysés.

Segundo o pesquisador, independência funcional pressupõe a capacidade de execução de tarefas cotidianas, como alimentar-se, locomover-se, banhar-se, vestir-se, realizar a higiene pessoal (inclusive bucal), manter o controle urinário e fecal. Outros tipos de tarefas cotidianas, chamadas atividades instrumentais da vida diária, são aquelas relacionadas com a forma com que o indivíduo se adapta ao meio, como fazer compras, cozinhar, limpar a casa, lavar roupas, usar transportes, administrar dinheiro e medicações. Para Moysés, quando as alterações biofi­sioló­gicas senescentes se associam à entrada na aposentadoria e às mudanças no papel social, origina-se a tendência de progressiva perda de espaço, que pode levar ao sedentarismo e ao abandono da autoestima e do autocuidado. “Neste sentido, a criação de oportunidades e de espaços sociais, em especial no âmbito familiar, que possibilitem a participação ativa dos idosos, torna-se pressuposto de saúde”, conclui.


CD Érika Sequeira,
da FM-USP

Diante disso, a pesquisadora Érika Sequeira, doutoranda do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), sugere o planejamento e o desenvolvimento de novos materiais educacionais que busquem, por meio da interatividade, promover a autonomia defendida por Moysés e tão importante à manutenção da independência e da saúde bucal do idoso. Para tanto, Érika faz uso da tecnologia no desenvolvimento de sua tese de doutorado, “Aplicação de modelo educacional interativo como recurso para a orientação e motivação sobre saúde oral em idosos, orientada pelo prof. dr. Chao Lung Wen. “A provisão de informação e educação é um aspecto fundamental para a adoção de comportamentos saudáveis. Entender as necessidades dos idosos, a forma como percebem a importância da saúde e da higiene oral e estabelecer estratégias para encorajá-los a melhorar hábitos e a mudar comportamentos são medidas fundamentais”, considera a pesquisadora.


Homem Virtual: interatividade na orientação sobre higiene bucal

Por meio de um modelo educacional interativo que contempla orientação sobre saúde e higiene oral, disponível em DVD; recursos iconográficos em três dimensões, provenientes do Homem Virtual (desenvolvido pela disciplina de Telemedicina da FM-USP); e capacitação sobre saúde oral dos idosos por meio de educação a distância, a pesquisadora busca verificar a aplicação de uma forma de comunicação de larga abrangência e de grande impacto voltada ao público idoso, visando informar, promover motivação e retenção de informações e repercutir o entendimento do que é o auto­cuidado em saúde oral e sua relevância para qualidade de vida.


Expectativa demográfica x
idade x gênero para 2050


Ainda raro: Odila Silva,
a caminho dos 101 anos,
atuante e saudável

Para explicar os aspectos fundamentais da higienização, Érika integra material impresso de reforço, vídeo educacional motiva­cional, objetos de aprendizagem (sequencias de computação gráfica em três dimensões) e ambiente de aprendizagem interativo. O ambiente educacional construído, chamado de Cybertutor (disponível em www.telessaudesp. org.br), faz parte da estratégia para instrução dos multiplica­dores e formação de uma rede de colaboração de aprendizagem. O modelo foi aplicado na cidade de Tatuí (SP) e treinou pessoas da comunidade para que ensinem aos idosos. Segundo Érika, multi­plicadores e idosos participantes mudaram suas opiniões e melhoraram seus conhecimentos sobre saúde oral. “A perspectiva é a uti­lização deste modelo em rede de telessaúde em atenção primária e em atividades que utilizem tele-educação inte­rativa para difundir conhecimentos”, anima-se.

Para a capacitação dos multi­plicadores, além de reuniões pre­senciais, foram desenvolvidos nove módulos com conteúdo teórico sobre envelhecimento e saúde oral dos idosos, também disponíveis no site
www.telessaudesp.org.br
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