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A N Á L I S E  S E T O R I A L

Os contrastes do mercado
Antonela Tescarollo e Diego Freire


Matematicamente, o mercado brasileiro de equipamentos e artigos odontológicos e de produtos para higiene bucal vai muito bem. No segmento mundial de escovas, cremes e fio dentais, enxa­gua­tórios e outros, o Brasil é o segundo mercado, atrás apenas dos EUA. A indústria nacional de equipamentos e artigos odontológicos, por sua vez, vem mantendo superávit na balança comercial, com faturamento de R$ 985 milhões em 2008 e projeção de crescimento de 16% - maior que a do setor médico-hospitalar e odontológico todo, que é de 8%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo).

Essas são notícias muito boas, mas um olhar um pouco mais atento enxerga alguns contrastes e pendências neste mercado. Um exemplo é o fato do setor público ser responsável por apenas 10,5% das vendas internas de equipamentos nacionais. Outra questão, levantada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), são os altos tributos que incidem sobre os produtos de higiene bucal: 41,4% do preço de uma escova dental são de tributos, e do creme dental, 37,8%.

Além disso, apesar de ser um dos maiores mercados no setor, muitos brasileiros não têm acesso adequado a esses itens e alguns índices epidemiológicos em saúde bucal continuam ruins. “O que se percebe é a reprodução da estrutura social brasileira – pouca gente consome muito e muita gente consome pouco, ou nada. E, mais uma vez, entendemos a necessidade da presença do Estado como regulador”, diz Gilberto Pucca Jr., coordenador de Saúde Bucal do Ministério da Saúde.

Essas dissonantes relações entre a indústria, o mercado e a realidade brasileira encontram espaço nos estudos em Saúde Pública e Coletiva, e foi o que fez o pesquisador Marco Antonio Manfredini, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Para ele, é preciso avaliar melhor “as justificativas para o aumento no consumo dos produtos, a desigualdade na sua distribuição pelas diferentes classes sociais e regiões brasileiras, a função do Estado no fornecimento gratuito e regulação destes produtos e o papel do mercado na indução desse consumo”.

A partir de outro ponto de vista, o papel do Estado também é colocado em discussão pelas reivindicações da indústria e do comércio odontológicos por processos menos burocráticos, demorados e caros para regularizar o funcionamento das empresas e a venda de novos produtos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Isso nos traz impacto na área econômica, investimos em um produto que não pode ser comercializado enquanto aguarda o registro. Desta forma, perdemos compe­titividade e ficamos expostos à entrada de produtos importados”, explica Gustavo Barbosa, da Gnatus Equipamentos Médico-odontológicos.

Apesar de algumas insatisfações, as empresas brasileiras do setor, ou que atuam no Brasil, estão otimistas em relação ao mercado nacional e acreditam no seu potencial de crescimento. O posi­cionamento e as ações dessas empresas reforçam o lado positivo do mercado odontológico no País, e também são bons exemplos do alto nível à que ele chegou. Isso porque o que se observa são empresas com visão empreendedora, profissional e que apostam nas oportunidades que o Brasil oferece, contribuindo com a evolução e modernização do mercado.

 

RÉSUME - The market contrasts

In search of harmony

Mathematically, the Brazilian market for dental articles and equipment, and products for oral hygiene are doing very well. In the world-wide segment of toothbrushes, toothpastes and dental floss, mouthwash and others, Brazil is the second market, being behind the USA only. The national industry of dental articles and equipment, in its turn, is keeping a surplus in the balance of trade, with an invoicing of R$ 985 million in 2008, and a growth projection of 16% - higher than that of the entire physician-hospital and dental sector that is 8% according to the data of the Brazilian Association of Industry of Medical Articles and Equipment, Dental, Hospital and Laboratories (Abimo).

These are very good news, but paying a little more attention it is possible to see some contrasts and pendency in this market. An example is the fact that the public sector is responsible for only 10.5% of internal sales of national equipment. Another issue rose by the Brazilian Association of Personal Hygiene, Perfumery and Cosmetics Industry (Abihpec) is the high taxes influencing oral hygiene products: 41.4% of a toothbrush price is taxes, and for toothpaste it is 37.8%.

Moreover, although it is one of the greatest markets in the sector, many Brazilians have no appropriate access to such items and some epidemiological rates in oral health are still bad. “What one notices is the reproduction of the Brazilian social structure – few people consume too much and many people consume little or nothing. And, once again, we understand the need of the State's presence as a regulator”, said Gilberto Pucca Jr., Chief Dental Office of the Ministry of Health.

These dissonant relationships among the industry, the market and the Brazilian reality find space in the Public and Collective Health studies, and that was what Marco Antonio Manfredini, researcher from Faculdade de Saúde Pública ( College of Public Health ) from USP has done. He thinks this is needed to better assess the “justifications for increasing products consumption, unevenness of its distribution within different social classes and Brazilian regions, State's role in supplying and regulating such products, and the market role in inducing such consumption”.

From another point of view, the State's role is also placed under discussion by claiming from dental industry and commerce by less bureaucratic, lengthy and expensive processes which regulate companies operations and sales of new products before the National Health Surveillance Agency (Anvisa). “This brings an impact on the economical area, investments in a product that could not be marketed while awaiting its registration. In this way, we lose competitiveness and are exposed to imported product coming into the market”, explains Gustavo Barbosa, from Gnatus Equipamentos Médico-odontológicos.

Despite some dissatisfaction, the Brazilian companies of the sector, or operating in Brazil , are optimists in relation to the national market and believe in its potential of growth. The positioning and the initiatives of these companies reinforce the positive side of the dental market in this country, and are also good examples of its high level. Therefore, what one can see are companies with enterprising, professional vision that bets on opportunities offered by the Brazilian market, contributing to its progress and modernization.


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