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Aos 5 anos de idade, 60% das crianças brasileiras têm cárie. A Associação Brasileira de Odontologia (ABO) convoca pais, professores e os mais de 220 mil cirurgiões-dentistas que representa para combater o mal e erradicar a doença até 2020. Enquanto a cárie é a vilã, a correta higienização bucal, do nascimento aos 18 anos, é a heroína dessa luta, que vai se intensificar nos próximos 10 anos

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 60% da população infantil mundial têm cárie. O Brasil contribui significativamente com o cenário devastador da doença: crianças brasileiras de 12 anos de idade têm média de 2,8 dentes cariados, perdidos ou obturados. Os dados foram coletados pelo Ministério da Saúde com o suporte da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), que tem reunido esforços de cirurgiões-dentistas, governantes, pais, professores e sociedade em geral para combater a cárie até a sua total erradicação.
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A meta de livrar o mundo da cárie até 2020 foi proposta na 1ª Conferência Global Anticárie, que a ABO realizou, em parceria com a Federação Dentária Internacional (FDI), no último mês de julho, no Rio de Janeiro. Na ocasião, pesquisadores de diversos países refletiram sobre estratégias de combate à doença em todo o globo. Mas o presidente nacional da ABO, Norberto Francisco Lubiana, chama a atenção para o importante papel que pais e responsáveis diretos pelas crianças têm na prevenção da doença em casa e na escola, entre outros ambientes. “A melhor arma contra a cárie é a higiene bucal correta, feita após as refeições, com escova de dente adequada e fio dental”, orienta.
A vilã ataca em 15 minutos – Qualquer ingestão de alimento precedida de mastigação, especialmente de produtos ricos em sacarose, aumenta o risco de cárie se não acompanhada da higiene bucal. “O mais importante é não descuidar da limpeza da boca, já que a placa bacteriana não leva mais do que 15 minutos para começar a agir”, explica Lubiana. O alerta ganha maiores proporções se a mastigação for feita antes de dormir, já que o fluxo salivar, que ajuda na limpeza, diminui durante o sono.
Saúde bucal antes de nascer – Os dentes de leite começam a se formar na sexta semana de gravidez. Entre os cuidados que a mãe deve ter para assegurar uma boa formação da dentição da criança estão: evitar álcool e outras drogas; preparar os seios para a amamentação, fundamental não só por causa dos aspectos afetivo e nutricional, mas também para o exercício muscular e prevenção de problemas na oclusão (mordida); ter alimentação balanceada.
O cuidado na alimentação da mãe é importante, também, no direcionamento dos hábitos alimentares do filho, que tem seu paladar formado a partir do quarto mês de vida intra-uterina.
A saúde bucal da mãe também precisa de cuidados durante a gravidez. “Vários procedimentos precisam ser realizados, em visitas frequentes ao cirurgião-dentista, da profilaxia à aplicação de flúor e tratamento de irritações”, orienta Lubiana.
Sem dentes, mas com saúde – O bebê já nasceu, mas os dentes ainda não. Mesmo nessa fase, a higiene bucal não pode ser negligenciada, e a orientação do cirurgião-dentista é fundamental.
Antes da erupção dos primeiros dentes, a limpeza da boca deve ser feita com algodão ou gaze embebida em água filtrada ou fervida, sempre após as mamadas. O procedimento deve ser seguido até que comecem a nascer os primeiros dentes.
A partir daí, inicia-se a escovação, quando devem ser usadas escovas especiais para crianças, pequenas e macias, com a ajuda dos pais e orientação do odontopediatra. |


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A partir dos 7 anos, a criança já consegue fazer a escovação sozinha, mas ainda com a supervisão dos adultos. Seja em que fase for, os pais podem fazer sua higiene bucal na frente da criança, para que ela entenda que este é um procedimento comum e procure aprender imitando.
Nessa fase também é preciso cuidado com o creme dental, pois a criança tende a engoli-lo durante a escovação, e a ingestão excessiva de flúor pode causar fluorose, caracterizada por manchas nos dentes. Por isso, é preciso usar quantidades mínimas de creme (do tamanho de uma ervilha), ou optar por produtos com menores concentrações de flúor ou livres da substância.
Dentes de leite nascendo – Quando começam a nascer os dentes de leite, as crianças tendem a ficar irritadas, com coceira na gengiva e até febre. Nestes casos, não é recomendável usar pomadas ou outras substâncias anestésicas que podem causar alergia. O mais indicado é dar mordedores à criança, para aliviar a coceira.
Mesmo quando ainda alimentados apenas com leite materno, os bebês não estão imunes à cárie. A lactose – o açúcar do leite – alimenta as bactérias da boca, que, com o tempo, crescem, formam a placa bacteriana e destroem os tecidos duros dos dentes, o que caracteriza a doença.
A recomendação dos especialistas é de escovar os primeiros dentes do bebê, que praticamente não aparecem.
Dentes de leite caindo – Os dentes de leite caem porque os permanentes estão atrás deles e “sugam” o cálcio de suas raízes. Sem raiz, eles ficam moles e caem. O natural é que o dente de leite caia sozinho, mas, se ele já estiver mole, ajudá-lo a cair é válido.
O sangramento deve ser estancado comprimindo a área com gaze ou algodão umedecido por água fria. Caso demore muito para o dente cair, o cirurgião-dentista deve ser procurado.
Não há idade certa para os dentes caírem. O importante é a sequência de erupção dos dentes permanentes. Com visitas periódicas, o odontopediatra pode avaliar se a troca dos dentes está correta e se há necessidade de extrações.
Atenção especial ao adolescente – Enquanto os dentes de leite dão lugar aos definitivos, muita coisa também está mudando no corpo da criança além da boca. A odontologia tem uma área específica para o paciente adolescente, a Odontohebiatria, que possui práticas e linguagem próprias para a fase. O odontohebiatra também está preparado para reconhecer sinais de comportamentos de risco típicos da adolescência na boca, como o uso de drogas e transtornos alimentares como a bulimia, e pode ser um grande aliado da família na resolução desses problemas.
Outras áreas da odontologia também podem passar a fazer parte do rol de cuidados com a saúde bucal com o crescimento da criança, como a Ortodontia. |



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O uso de aparelho ortodôntico já deixou de ser exclusividade de crianças e adolescentes, sendo adotado por pessoas de todas as idades, mas, quanto mais cedo problemas de oclusão forem tratados, melhor. Estas e outras soluções podem ser conversadas com o odontopediatra, que cuida da saúde bucal de pacientes de até 18 anos de idade.
O que é a ABO – Entidade sem fins lucrativos dedicada à defesa da classe odontológica e da saúde bucal da população, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) congrega 321 células em todo o País, sendo 27 Seções (em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal) e 294 Regionais, com 85 Escolas de Educação Continuada e 1.500 consultórios odontológicos instalados. Nestes espaços, são oferecidos atendimentos à população, gratuitos ou a preços de custo de materiais.
A entidade realiza cerca de 10 congressos por ano, em vários Estados brasileiros, reunindo mais de 50 mil participantes nestes eventos. É, também, a maior associação da Federação Dentária Internacional (FDI). Um brasileiro, o carioca Roberto Vianna, da Diretoria da ABO, é o presidente eleito da FDI e toma posse em setembro deste ano, no Congresso Mundial de Cingapura. Em 2010, o Congresso Mundial da FDI será realizado, também em setembro, em Salvador (BA), trazendo cerca de 15 mil cirurgiões-dentistas ao Brasil durante o evento.
A ABO é presidida nacionalmente pelo cirurgião-dentista capixaba Norberto Francisco Lubiana, que é também conselheiro da FDI.
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