Sem saúde, a folia do carnaval e de toda a vida pode ficar comprometida.
Com a proximidade da folia, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) alerta sobre
os cuidados com a saúde bucal, tão importante para todo o organismo e especialmente vulnerável aos excessos da festa
A folia do carnaval, que este ano acontece na semana do dia 16 de fevereiro, costuma estar relacionada a excessos que podem ter consequências desastrosas na saúde. Para que nada atrapalhe seu sorriso durante a folia e ao longo de sua vida, a ABO recomenda não descuidar da saúde bucal, importante para a saúde de todo o corpo.
Doença do beijo “faz a festa” no carnaval – Cerca de dois bilhões de bactérias habitam uma única gota de saliva. Além delas, um vírus, o Epstein-Barr, que causa a mononucleose infecciosa, precisa apenas do contato direto da mucosa com a saliva contaminada para ser transmitido – nada que um bom beijo de língua não resolva. “Não é à toa que a mononucleose infecciosa é conhecida como a doença do beijo”, lembra a estomatologista Maria Carméli Sampaio, consultora da ABO, que diz que o aumento da incidência da doença após o carnaval é notório nos consultórios odontológicos.
A doença do beijo é caracterizada por mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). Para evitar todos esses problemas, Carméli sugere evitar os excessos. “Como se trata de um vírus, é importante que o indivíduo não tenha baixa resistência imunológica, alimente-se e durma bem”, destaca a estomatologista. Segundo a especialista, o mesmo vale para outras doenças que podem ser transmitidas pelo beijo, como tuberculose, hepatite e sífilis. “Uma higienização oral frequente ajuda a evitar outros problemas, como a transmissão de cárie, que também se aproveita da troca de salivas”, completa.
Sexo oral e DSTs: mais intimidade, mais riscos – Se o beijo pode ser uma via de transmissão de doenças, o sexo oral, por envolver contatos mais íntimos entre os organismos envolvidos, é uma via expressa, deixando o corpo à mercê de uma série de riscos. O cirurgião-dentista é capacitado para diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) na cavidade bucal, prestando os primeiros esclarecimentos e encaminhando o paciente ao tratamento adequado.
Segundo Maria Carméli Sampaio, uma das DSTs de maior incidência após o carnaval é o condiloma acuminado, conhecido como crista de galo, lesão na esfera genital causada pelo Papilomavirus Humano (HPV). “É importante que o sexo oral também seja praticado com camisinha, porque os riscos de contágio dessa doença são grandes”, aconselha a especialista.
Outras doenças que podem ser mais facilmente transmitidas por via oral são a gonorréia, caracterizada por vermelhão, ardência e prurido na mucosa, e a sífilis, ferida indolor no lábio ou língua. Além dos cuidados antes – selecionando bem o parceiro – e durante – usando preservativo –, é importante não descuidar depois. A visita regular ao cirurgião-dentista pode ser decisiva por facilitar o diagnóstico precoce de diversas doenças relacionadas à cavidade bucal, mas que podem comprometer a saúde como um todo.
Drogas e saúde bucal não combinam – O abuso de álcool e de outras drogas também se reflete na boca. “A mucosa bucal é uma ótima via de aplicação de medicamentos. Muitos deles são colocados sob a língua. O mesmo vale para o álcool, que causa descamação mais intensa da mucosa. O risco de queimaduras é grande”, alerta a estomatologista Maria Carméli Sampaio. Ainda segundo a consultora da ABO, o efeito solubilizante do álcool aumenta a permeabilidade das células da mucosa aos agentes carcinogênicos.
O consumo de outras drogas pode ser igualmente prejudicial. As inalantes (lança-perfume, éter, clorofórmio), bastante populares no carnaval, além de perda de consciência e morte por parada cardíaca ou respiratória, podem causar queimaduras na boca, sensibilidade dentinária e maior probabilidade de problema periodontal. Já a cocaína, que provoca sensação de dinamismo e potência, pode causar erosão nos colos cervicais dos dentes, maior formação de cálculo, ressecamento da mucosa da cavidade bucal e maior incidência de descamação gengival, além de todos os outros problemas amplamente conhecidos. O que é a ABO – Entidade sem fins lucrativos dedicada à defesa da classe odontológica e da saúde bucal da população, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional) congrega 321 células em todo o País, sendo 27 Seções (em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal) e 294 Regionais, com 85 Escolas de Educação Continuada e 1.500 consultórios odontológicos instalados. Nestes espaços, são oferecidos atendimentos à população, gratuitos ou a preços de custo de materiais.
A entidade realiza cerca de 10 congressos por ano, em vários Estados brasileiros, reunindo mais de 50 mil participantes nestes eventos. É, também, a maior associação da Federação Dentária Internacional (FDI) - presidida pelo brasileiro Roberto Vianna. Neste ano, o Brasil – através da ABO – sedia o Congresso da FDI, a realizar-se em setembro em Salvador (BA).
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