Estudos de universidade no Ceará idealizam app para ajudar no tratamento de crianças com paralisia cerebral

Em 2004, o curso de Odontologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) iniciou o Programa de Atendimento Multidisciplinar ao Paciente Especial (PAMPE), especialmente àqueles portadores de paralisia cerebral. O objetivo era promover a saúde bucal para essas crianças, por meio de várias disciplinas e dentro do conceito da antroposofia.

Recentemente, o estudo intitulado “Um jogo sério de apoio ao tratamento odontológico de crianças especiais” e o projeto de pesquisa denominado “Intervenção lúdica por meio de aplicativo multimídia no apoio ao atendimento odontológico ao paciente com paralisia cerebral”, ambos produzidos dentro da Unifor, lançaram mais luzes importantes nessa questão.

Os trabalhos foram produzidos pelas alunas Emanuela Pinheiro Holanda, Emanuella Maciel Silva e Natália Alves Macambira e acompanhados pelos professores José Eurico de Vasconcelos Filho, Grace Sampaio Teles da Rocha e Anderson Graciano Sousa.

No caso do estudo, seu objetivo foi desenvolver um aplicativo multimídia, em forma de jogo lúdico, capaz de ajudar o cirurgião-dentista a realizar o tratamento odontológico, assim como proporcionar entretenimento e estimular a higiene oral dos pacientes infantis portadores de paralisia cerebral.

Já o projeto de pesquisa, por sua vez, propunha avaliar o impacto da utilização dessa ferramenta especificamente como método de esclarecimento dos procedimentos a serem executados no atendimento em questão.

O jogo – desenvolvido por uma equipe multidisciplinar – foi testado junto a vinte pacientes e teve resultados positivos. Seu cenário cartunizado, lúdico e interativo indicava o procedimento realizado dentro da boca da criança. Ali, o personagem principal era o Super-Saliva. Sua interação com os pacientes deveria ser bastante simplificada e não exigir que a criança segurasse-o ou tocasse-o, por questões óbvias ligadas à assepsia. Esse desafio foi superado graças a um sensor de movimento. Outro requisito era que o aplicativo assumisse um efeito motivador e educativo e que fosse além do consultório, se estendendo ao dia a dia do jovem, o que também foi conseguido.

A partir disso, as estudantes Emanuela Pinheiro Holanda e Emanuella Maciel Silva desenvolveram um projeto de pesquisa denominado “Desenvolvimento de um aplicativo multimídia em plataforma móvel para atendimento ao paciente especial”. Nele, elas destacam que o atendimento odontológico ao paciente infantil portador de paralisia cerebral foi, por muito tempo, considerado algo complexo, devido a uma série de dificuldades que essas crianças apresentam e pela falta de informações e despreparo dos profissionais da área.

As pesquisadoras queriam avaliar o impacto da utilização do aplicativo multimídia desenvolvido como meio de esclarecimento dos procedimentos executados no atendimento odontológico a esta classe especial de pacientes. “Nesta perspectiva, o objetivo do estudo era desenvolver e avaliar a intervenção lúdica com esse tipo de ferramenta, no atendimento odontológico ao paciente portador de paralisia cerebral”, explicam.

A análise revelou que as novas tecnologias da comunicação e informação devem ser entendidas num contexto maior, como um conjunto de recursos não-humanos dedicados ao armazenamento, processamento e comunicação da informação, organizados num sistema capaz de executar um conjunto de tarefas. Outro ponto constatado foi que a utilização de um aplicativo consegue promover uma melhor relação entre o profissional da Odontologia e seus pacientes infantis com paralisia cerebral.