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Era por essa época que Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, exercia seu ofício, aprendido com o padrinho Sebastião Ferreira Leitão. Em maio de 1789, quando foi preso por sua participação na Inconfidência Mineira, Tiradentes disse que conhecia muita gente no Rio de Janeiro “em razão da prenda de pôr e tirar dentes”. Seu último confessor, frei Raimundo Pennaforte, relata que Tiradentes “tirava com efeito dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais”. Habilidade rara naquela época de técnicas rudimentares.

Entre os objetos seqüestrados em sua casa, em Vila Rica, havia cinco pratos de pó de pedra branco, dois frascos de vidro grandes, duas garrafas finas pequenas, uma peneira de seda e instrumental de dentista. Os instrumentos fazem parte da reserva técnica do Museu Histórico Nacional (RJ). São dois fórceps, duas chaves de extração e uma espátula.

O primeiro documento do reino a citar a palavra dentista foi o Plano de Exames da Real Junta do Protomedicato, de 23 de maio de 1800, assinado pelo príncipe regente D. João. O plano exigia que o candidato à profissão de dentista passasse por um exame para avaliação de conhecimento parcial de anatomia, métodos operatórios e terapêuticos.

Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, inicia-se um período de desenvolvimento na colônia, com destaque para a área cultural, artística e de educação. Em 18 de fevereiro daquele ano é criada a Escola de Cirurgião, no Hospital São José, na Bahia, e em 5 de novembro, a Escola Anatômica Cirúrgica e Médica do Hospital Militar e da Marinha. Esta, em 1832, seria transformada em Faculdade de Medicina.

Em janeiro de 1809 muda novamente o sistema de concessão de licenças de trabalho. D. João abole a Real Junta de Protomedicato e suas atribuições passam para o físico- mor e para o cirurgião-mor, que haviam sido nomeados pelo príncipe regente em fevereiro do ano anterior.

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Na São Paulo de 1850 (parte 7)


* A matéria História da ABO Nacional foi publicada originalmente em sua íntegra na Revista ABO Nacional edição outubro/novembro de 1998, e assinada pelos jornalistas Bia Ferreira e Cacá Sil Garcia.

 

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